quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"É o amor" que cega, temporariamente, uma infância!

Ao som de Elis Regina, “Como Nossos Pais”, e tendo em vista seu alto nível no que se refere a estilo musical, refleti sobre e como a indústria nos influencia ao reproduzirem, em grande e larga escala, novos "ídolos". Todos os dias surgem nomes, vozes e melodias, mas, ao mesmo tempo, muitos deles, caem no esquecimento. Rápido assim!

Enquanto a voz suave da “pimentinha” de Vinícius de Moraes, aguçava meus ouvidos com as frases “Quero lhe contar como eu vivi. E tudo o que aconteceu comigo”, percebi que, quando alcancei a idade de decidir minhas preferências musicais, muito tempo se perdeu até encontrar, verdadeiramente, um sentido para as canções que realmente faziam algum sentido .
"Por isso cuidado meu bem. Há perigo na esquina"...

É o que eu avalio quando, em 1991, a dupla Zezé di Camargo e Luciano, lançou a música "É o amor". Defino estes sucessos repentinos de audiência com o termo perjorativo, perigoso.
Ao lembrar desta canção, chego a sentir calafrio, diferentemente do que sentia quando a escutei por várias vezes naquela época. Lembro de fitas K7 colocadas na posição correta em um antigo aparelho de som na tentativa de dar o "REC" no momento em que a rádio tocaria, pela milésima vez no dia, a tal música.

Quando o mercado lança estas novidades e ditam novos estilos musicais, é nada mais, nada menos que, um produto do qual as pessoas têm, eu disse têm, que consumir, afinal, é para isso que servem. E se, de fato, não houver o consumo rápido, instantâneo e eufórico simplesmente se perdem em meio ao fracasso.

Em ápices mercadológicos, como o ocorrido com a produção musical dessa dupla sertaneja, a mídia pensa por nós, gosta por nós e reproduz incansavelmente por nós e nós? Quando deveríamos selecionar o que gostamos e o que não gostamos, simplesmente nos deixamos levar pelo modismo.

E desta forma surgem novos nomes, novas canções e milhares de fãs que nem sabem, sequer, a verdadeira essência de uma boa melodia. E a maior decepção talvez seja que, vozes como a de Elis Regina interpretando um MPB de caráter urbano e o "fino da bossa nova" soem, gostoso e vibrante, em poucos ouvidos.

"Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos, e vivemos..."

5 comentários:

Virgínia Pierini disse...

Rê, concordo muito! A enxurrada de informações e lançamentos hoje em dia é tão grande que as pessoas estão perdendo a capacidade de escolha e discernimento do que realmente gosta e daquilo que acha que gosta porque é "moda". Junte a tudo isso uma sociedade cada vez mais prejudicada com o desmoronamento das famílias e temos a receita ideal do "desequílibrio humano". Daí a consequência disso vemos todos os dias nos jornais, internet e TV.

Moacyr disse...

Eu não só lembro das fitas K7 como ainda as tenho.

NEUBER FISCHER Comunicação Social - Jornalismo disse...

Música é epoca,e vale lembrar que a industria cultural nos impoe aquilo que vamos ouvir, afinal, quem faz uma música ser sucesso ou não é a mídia. martelam a musica na nossa cabeça e ela fica eternizada, sendo boa ou ruim.

DONATO CÉSAR PIERINI disse...

Muito bom seu texto, filha... Mostra caracteristica e maturidade... A intercalação de estrofes dessa lind música caiu feito uma luva no seu texto... Parabens...Realmente a música MARCA o tempo e as passagens na vida de cada um de nós... mas o gosto apurado é que identifica aquilo que vamos nos lembrar sempre... Não é qualquer musiquinha que a midia insistiu que entrou na minha cabeça não... EU ESCOLHI as que eu mais gostava.. e gosto até hoje,,,e COMO NOSSOS PAIS é uma delas, com certeza... Já as sertanejas globaLIZADAS POR 372.734 DUPLAS SERTANEJAS DAS MAIS dIVERSAS EETIRPES...essas eu quero BEEEEMMMM LONGE dos meus ouvidos !!!!! Confundiram a MPB nativa...com sertanejas americanizadas... Ah! Pàra com isso... Sua benção Vinicius de Moraes !!!!

ronieev disse...

A aquisição do gosto é um assunto que deveria ser tratado e explicado nas escolas. Na verdade essa coisa de livre arbítrio é uma "piada", sendo que nossas escolhas são feitas dentre um seleção pré-determinada por alguém ou grupo com interesses específicos.

Não é só na música, também na televisão e na própria literatura podemos ver esse processo de docilização do gosto afim de produzir em nós a sensação de que somos nós que escolhemos e que "gostamos" disso e não daquilo.
Somos condicionados ao gosto do senso comum. Resistir a isso é uma obrigação.

Parabéns pelo texto. Ótimo!
abraços.